A espera por uma resposta, por um telefonema, por encontrar alguém, todas essas situações em que estamos à mercê, onde não temos o controle da situação e nos sentimos carentes de autoridade, nos sentimos derrotados, mesmo que não tenhamos perdido nada, nos angustiam.
É impressionante o quanto a angustia nos domina, o quanto ela reprime nossas esperanças, confronta nosso pensamentos, coloca em xeque as palavras positivas e nos força acreditar que nada dará certo, ficamos refém da tragédia que virá a ser, sem sabermos se mesmo será.
O tempo e o espaço se deformam, pois os minutos demoram anos a passarem, os lugares são deprimentes, mesmo que sejam afáveis, as roupas azucrinam e coçam, tudo nos irrita.
Mas de onde vem essa sensação?
Acredito que por vivermos em uma sociedade em que o senso de prática e rapidez e cada vez mais explorado e exaltado, -pois ao apertarmos um botão, as máquinas já nos apresentam algo pronto, ou ao pedirmos um prato esperamos que esse seja entregue o mais rápido possível, não aceitamos esperar-, não sabemos lidar com o tempo de espera, não sabemos usar nossa capacidade de pensar em outra direção, ficamos obcecados, alienados por o que esperamos.
A capacidade de vermos outras possibilidades, de desviarmos nossa preocupação, de buscarmos outra coisa a notar, nada disso se faz é possível, pois somos cada vez máquina, estamos cada vez mais programados a não termos campo de visão amplo, só conseguimos olhar um ponto, parecemos cavalos com vendas laterais, que só conseguem andar numa linha única.
Não percebemos, mas essa posição, que muito é classificada como eficiência, foco e diligencia para o trabalho, nada mais é do que a perda de capacidade de expandir o horizonte, de enxergarmos além dos outdoors, não conseguimos avistar mais nada além do ponto que nos atenta.
Cada vez mais temos recursos, instrumentos que realizam funções múltiplas num mesmo instante, mas isso de nada vale, pois estamos cada vez mais programados a fazer uma única coisa, a perceber um único sentido, a ter um único pensamento, somos utensílios, inanimados, robóticos, a lógica industrial, -a mesma lógica que daria ao homem possibilidades de realizações, de ser livre, de usar as máquinas ao seu bel prazer-, mais do que nunca nos tornou escravos dela, para apenas movimentamos a lógica sistêmica.